Mostrando postagens com marcador Fernando Gramoza. Mostrar todas as postagens

Pânico: Bandidos invadem churrascaria Dom Pedro e realizam arrastão
(Foto: Arquivo)

O crescente uso da internet serve para inúmeras questões: exibir e expor uma vida privada, prejudicar a vida dos outros, dar voz aos imbecis – como falou o escritor italiano Umberto Eco –, para modismos, mas, também, para se solidarizar com o mundo e com os seres humanos, de modo universal, e, mais incisivamente, com os que mais precisam. As ditas minorias – não em número mas em direitos sociais –, como o movimento LGBT (Lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais), os pobres, as crianças, as mulheres e as demais vítimas sociais, são alvos cotidianos de injustiças e de tantos preconceitos quanto são possíveis imaginar.

Depois da polêmica gerada por um pastor evangélico, quando recomendou que seus correligionários boicotassem determinada marca de cosméticos – devido a um comercial veiculado, onde pessoas do mesmo sexo celebram o dia dos namorados presenteando seu (a) companheiro (a) com um exemplar da tal marca –, duas questões se somaram para engendrar o que levou à comemoração e à solidariedade ao movimento LGBT apoiadas pelas redes sociais na internet. Uma delas é que o movimento LGBT “e todas aquelas [pessoas] que tenham sua identidade de gênero não reconhecida em diferentes espaços sociais” (Conforme resolução nº 12 de janeiro de 2010 – atualizada em 2015 –, do Conselho Nacional de combate à discriminação e promoções dos direitos de LGBT), teve aprovado o direito de usar o chamado nome social – também na escola: nós diários de classe e credenciais estudantis –, designação pela qual a pessoa deseja ser chamada, junto ao seu de registro, o chamado civil. O nome que escolher ser chamada designará a subjetividade desenvolvida pela pessoa. Essa deverá ser respeitada e não questionada pelo uso do banheiro, de roupas, por comportamentos e por nada mais que não fira o direito dos outros, mas sem deixar os seus de lado. O problema é que essa resolução aparece como recomendação e não lei, isso em virtude da autonomia que possui as instituições de ensino.

Já a outra é que o casamento homoafetivo – de pessoas do mesmo sexo – foi legalizado em todos os estados dos Estados Unidos. Esse acontecimento histórico, aprovado pela Suprema Corte na sexta-feira, 26 de junho, representa uma conquista deveras importante para o mundo, pois, se isso ocorreu num país de relevante visibilidade, como aquele, as pessoas que ainda não têm sua identidade de gênero reconhecida e respeitada, podem continuar sonhando, agora com mais essa evidência de que podem ir em busca de sua realização pessoal.

Assim, depois que algumas entidades e pessoas começaram a se manifestar nas redes sociais, com a colorida flâmula LBGT, o criador de uma requisitada e influente rede social adere ao uso da bandeira colorida e disponibiliza em sua rede um link da ferramenta – “Let’s celebrate pride” – entendida como “Vamos celebrar o orgulho”, que sobrepõe um colorido sobre a foto do perfil nesta rede social.

É compromisso digno que seja feito do espaço em que se vive – salas de aula, família, relacionamentos, amigos, bares, festas, internet – locais de luta contra os tantos problemas sociais. Lembrando Bob Marley – quando ia fazer um show e foi vítima de um atentado em 1978, com dois tiros no braço. Dois dias após o ocorrido realizou o show pela paz (One Love Peace Concert) e, ao ser questionado do porquê de se expor mesmo correndo risco de morte, respondeu: “As pessoas que fazem de tudo para piorar o mundo não descansam. Por que eu, que quero melhorá-lo, tenho que descansar?” Deste modo, também os cônscios usuários das redes sociais da internet não devem se esquivar de seu papel de luta na relação de classes, e se posicionar nos mais diversificados locais, como é o caso crescente da internet.

Nos aspectos aqui discutidos, gênero e a livre orientação da condição sexual, o direito faz-se necessário quando não se tem respeito mútuo, o que é conquistado com muita luta. É importante estar atento (a) e observar que essa conquista também sinaliza o atraso em que o mundo ainda se encontra em muitas questões, tal qual essa da sexualidade, isso ao passo que se faz mister cuidar para que essa benesse não seja mais uma a serviço do capital.

Por Fernando Gramoza

Uma realidade regional
(Foto: Ilustrativa)

O nordeste brasileiro possui peculiaridades regionais e de formação territorial que foram geográfica e socialmente construídas. Diante da já antiga “indústria da seca”, pouca variação climática – com predominância do calor –, algumas famílias burguesas fazem uso, mando e desmando dessa região do país, ao seu “bel prazer”. Aspectos como coronelismo, provincianismo, assistencialismo e mais alguns outros “ismos” fazem dessa região dessa localidade um celeiro de atrasos sociopolíticos.

Diante desse quadro nada animador, cabe pensar se é possível reverter esse panorama de vícios e problemas, os quais dificultam a plena vida humana, e, identificar até que ponto as discussões traçadas em torno da relação entre federalismo e municipalização, na democracia do Brasil, contribuem para mudar essa não tão nova situação.

Importantes temas para vida político-social da região nordeste precisam ser sempre o “prato do dia”. Democracia, descentralização, desprefeiturarização (desburocratização), formação política, participação popular, disputa de espaços de intervenção social e conquista de ambientes políticos. Tantas são as questões que ocorrem em vias de alterar um painel de atrasos e arbitrariedades burguesas que carecem de serem tomadas com a devida importância nessa seara de dificuldades.

Ao hierarquizar, em nível de importância, os problemas dessa região, os climáticos são irrisórios em relação aos políticos e sociais. Tanto é assim que até são subordinados a esse último, pois as reflexões e desenvolvimento tecnológicos apontados já desde o século XVII, com o Iluminismo, apontavam que é possível conviver bem com intempéries climáticas, até porque se fosse diferente a humanidade não estaria viva para contar essa história. O que – não só – por essas cercanias se configura, de fato, como carência é, em maior grau, consciência e intervenção social para, de algum modo, forçar uma mudança de hábitos e tratos por parte de seus representantes políticos. Estes por seu turno, ainda que não consigam “reinventar a roda” da boa administração pública – comprometida eticamente com o social, sem vícios em qualquer âmbito, inclusive no federal –, podem – caso seja seu intuito, o que não parece ser – não integrar esse quadro de enriquecimento ilícito e de reserva de vagas para burgueses que está sendo, já há algum tempo, a política.

Ainda com toda discussão travada na ‘Constituinte’ sobre “deixar de ser ouvinte para ser atuante”, faz-se mister repensar com mais afinco a abrangência das federalizações e implementar, de fato, a municipalização. Tal ação, com o devido repasse de verbas para prestação dos serviços necessários –, esta que, por descentralizar o modo de atuar do poder público na resolução dos problemas sociais, pode mudar o povo de ‘vulgo’ para agente de sua própria mudança, sem que este seja culpabilizado individual ou coletivamente pelos insucessos que lhes são conferidos por terceiros, os quais se aproveitam do quanto esse povo é coadjuvante no filme de sua própria vida. É preciso ainda muita luta e intervenção social, comprometida com a mudança de vida desse povo sofrido e social e politicamente carente.

Panos quentes em corrupção, propostas de leis que não resolvem os problemas sociais e ainda os agravam – como é o caso da polêmica redução da maioridade penal e da terceirização dos serviços públicos –, bem como um sistema político oneroso e viciado para manter sempre as mesmas oligarquias e poucos aristocratas no poder: eis o cenário que se configurou quando o povo “deixou de dizer quem é que manda”, deixou de se manifestar, de modo contundente, acerca de seus interesses, deixou de lado o conhecimento de sua própria história para tentar eternizar o presente de aparências e de efemeridades. Em suma, deixou de olhar para o passado para entender o presente e projetar o futuro.

Este ambiente propício para inúmeras expressões da “questão social” – conjunto das expressões das desigualdades da sociedade fruto do capitalismo –, com particularidades só suas, tal como os “ismos” aqui já relatados, estas que levam a um receio coletivo e a um pragmatismo de querer ver mudança ainda quando estas não estão em processo de construção, com vontade, participação, suor – como é típico dessa região –, e demais características que ajudarão a construir uma realidade – não virtual – que não contribua para que este seja só um país do futuro, mas que, já no presente, se desenvolva. Pois caso os “ismos” por aqui se perpetuem sem a intervenção popular, esse tal futuro pode nem chegar por estas bandas.

É urgente voltar ao “primeiro amor”! Aquele que levava à ágora grega para discutir e disputar as melhorias para a sua localidade; aquele que manifesta o grau de pertencimento à determinada região e levava até a emprestar a sua própria vida em nome de um “bem comum”, tal qual ensejou Sócrates e escreveu Platão. Enquanto o individualismo, o medo, o receio de se indispor, a preguiça política, a falta de formação e participação popular reinarem, não parece ser possível engendrar um lote de melhorias para as vidas menos favorecidas dessa região “cabra da peste”, que convive diariamente com mandos e desmandos, com a fome, a falta de oportunidades e com a seca, mas não desiste de viver e de sonhar. Precisa, urgente, buscar transpor não seu rio, mas seus sonhos em realidade, sua potência em ato – tal qual teorizou Aristóteles. Como escreve Belchior em sua música “Bel-prazer”, do álbum “Todos os sentidos”, de 1978, cabe a essa realidade regional: “Libertar a carne e o espírito, coração, cabeça e estômago; […] o verbo, o ventre, o pé, o sexo, o cérebro: tudo o que pode ser e ainda não é. […] Não tem peito pra chorar. En la vereda tropical hay cana e canela e crecen las palmas […] achar ou inventar um lugar, tão humano como o corpo, onde pensar e gozar seja livre e tão legal: como razões de estado ou como fazer justiça; como palavras num muro ou escrever num jornal; entrar ou sair da escola, mulher-homem, homem-mulher; como luar no sertão, como lua artificial, como roupas comuns, como bandeiras agitadas. Festival estranho: festa, feriado nacional”.

Por Fernando Gramoza.

Sobre educação conjunta e significativa
(Foto: Divulgação)

Em conjunto, as mais recentes pesquisas e notícias apontam o desrespeito e a indisciplina como sendo dois dos maiores problemas da educação, na relação professor-aluno e demais cidadãos – seja ela do ensino primário ao nível superior. Para pensar essa questão, entendemos que a educação, para ser significativa na vida do educando, precisa transpor as bases institucionais e se articular com a vida cotidiana deste. O que exige uma ação conjunta entre família/parentes, escola, trabalho e demais ambientes que sejam frequentados por quem esteja sendo educado.

De acordo com a definição dada pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura – UNESCO, a educação precisa, necessariamente, reunir alguns pilares, dentre estes o que se refere às reflexões sobre ética e moral. Deste modo, cabe pensar o professor como um mediador atuante na relação do aluno com a escola e com o mundo, bem como dele com o que lhe é transmitido e socialmente vivido.

Durante muito tempo acreditou-se que a figura do docente era, e deveria ser, centralizadora e monopólio do conhecimento, ficando relegada ao discente a conotação de depósito de conhecimento acrítico, pronto e acabado. Essa relação entre professor e aluno mostrou que é contraproducente e que não culmina em conhecimento significativo – aprendizado teórico, prático e reflexivo – que acarreta uma mudança ou construção de uma vida comprometida socialmente. Quando o estudante não consegue reconhecer em seu dia a dia o que lhe é ensinado, sua vida não é transformada e fica à margem do real conhecimento que o torna um ser social. Sendo assim, não é estabelecido um ambiente onde o estudante possa ter uma relação amistosa com a sociedade, respeitando as pessoas, inclusive os professores, convivendo com as diferenças e contribuindo para a melhoria da vida numa correlação com a natureza.

Ao lembrar o educador pernambucano Paulo Freire – em obras como a Pedagogia da Autonomia de 2009 –, fica perceptível que a educação e, consequentemente, o conhecimento que é transmitido, precisam ocorrer como partilha e mediação, de forma a agregar valores à vida do educando, inserindo este no processo de ensino e aprendizagem, de modo que também este assuma seu papel nesta seara. Do contrário, tal conhecimento em nada contribuirá, como ferramenta, para as peculiaridades da vida. E, tão certamente, o aluno não fará parte dessa proposta social. Agirá sem compromisso, disciplina ou respeito para com o professor e demais seres sociais envolvidos.

Isso acontece ao passo que o estudante, que haje de modo socialmente descomprometido com as questões da vida e do mundo, somente – caso tenha oportunidade – engrossará as filas do, cada vez mais injusto e segregacionista, mercado de trabalho. Desse modo, deixará de lado o processo criador das artes, seja a música, o teatro, a literatura, a pintura, a fotografia, a poesia etc..

Assim, a importante figura do professor precisa atuar em conjunto com toda a sociedade, de forma a significar a vida do educando. Quaisquer imagem, teoria, modo ou ação que não estejam centrados em partilhar e envolver o aluno na senda do conhecimento, de forma crítico-reflexiva, de sua existência e de suas condições materiais e imateriais, terão fortes indícios de serem rejeitadas pelo discente, pois este perceberá que, em pouco ou nada, isso significa em sua vida. Parafraseando Elanklever – Elvio Antunes de Arruda (1953): só fica o que significa.

Por Fernando Gramoza

MARI themes

 

Jornal de Sergipe

{picture#YOUR_PROFILE_PICTURE_URL} YOUR_PROFILE_DESCRIPTION {facebook#YOUR_SOCIAL_PROFILE_URL} {twitter#YOUR_SOCIAL_PROFILE_URL} {google#YOUR_SOCIAL_PROFILE_URL} {pinterest#YOUR_SOCIAL_PROFILE_URL} {youtube#YOUR_SOCIAL_PROFILE_URL} {instagram#YOUR_SOCIAL_PROFILE_URL}
Tecnologia do Blogger.